quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Dona do tempo


É estranho ser dona de mim e meu tempo, parece que perdi noção do ontem, do hoje, da manhã, da tarde, do real e do irreal. Não quer dizer que eu tenha perdido a noção das horas, do tempo, mas é como se eu co-participasse dos compromissos alheios.

Diante dessa não tão autêntica experiência, mas nova por causa do novo contexto, tenho o crânio na região cefálica, mais leve é como se nele faltasse massa. Mas ainda sou dotada de racionalidade, é como se a massa deixasse de ser maciça e virasse um ínfimo gás inerte. Meu peito é sempre quente e essa solidão erudita, no começo da tarde, não tem preço!

Tudo é leve, é quente  e precioso, ao seu tempo. Ah, como é bom ser dona do meu tempo!

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Sempre-viva


Já que a juventude não permitiu-me a manutenção dos meus ideias infantis. Peço às responsabilidades adultas, que não deteriore meus ideais de jovem. E que a velhice me chegue com a certeza da satisfação de tudo o que fiz!

terça-feira, 29 de maio de 2012

O olhar





          Fala sério, não existe nada mais encantador, amedrontador, hipnotizante, intrigante, reconfortante, ameaçador, inocente, malicioso, suspeito, certeiro, embaraçoso, iluminado e obscuro que um olhar.
                 Olho, esse cristal biológico que reflete a alma, tão resumido, tão característico, tão denso de adjetivos, diga me o que mais cabe em um olhar?

Inversão evolutiva




        Sabe a sensação gostosa do quintal de casa ser um mundo a se descobrir, quando criança? Pois é, voltei a tê-la, porém agora, o meu quintal de casa é o mundo!

Mutilação




          Se eu fosse fria, mutilava meus seios para obter a fortaleza das amazonas pré-históricas, para combater e guerrear de igual para igual ao lado dos homens. Mas vejo que não é necessário, pois o próprio cotidiano mutila me e o que mais fortalece essa mutilação é a prepotência machista no seio família, aumenta a minha ira e revolta, tornam se maiores e mais fortes que eu. Esqueço me do corpo frágil e entregue à mercê da natureza, fazendo me forte para justificar e proteger meus ideais de igualdade entre os gêneros.
            E se for preciso sacrificar esse meu corpo-doação em prol desses ideais, sinto dizer aos frutos, os quais eu poderia e poderei gerar, que o sacrificarei se preciso, doa a quem doer; porque a “proteção” social pela integridade estipulada para a mulher, não retém me mais!  

Um pouco de cada uma delas




Acontece que não nasci Lilith, fui educada para ter um pouco dos modos dela. Mas fui gostando tanto disso, que eu na minha ingênua hipocrisia quis ser totalmente ela. Porém à medida que fui crescendo com o mundo me escaldando cada vez mais, sinto florescer me cada vez mais os legados da Mãe Eva, a costela desviada. Mesmo assim recuso a minha natureza e venero os passos da madrasta “revoltada”.

domingo, 22 de abril de 2012

Combinado


Então tá tudo combinado, porque combinamos.
Que essa combinação permaneça, enquanto combinarmos com o combinado!