terça-feira, 29 de maio de 2012

Mutilação




          Se eu fosse fria, mutilava meus seios para obter a fortaleza das amazonas pré-históricas, para combater e guerrear de igual para igual ao lado dos homens. Mas vejo que não é necessário, pois o próprio cotidiano mutila me e o que mais fortalece essa mutilação é a prepotência machista no seio família, aumenta a minha ira e revolta, tornam se maiores e mais fortes que eu. Esqueço me do corpo frágil e entregue à mercê da natureza, fazendo me forte para justificar e proteger meus ideais de igualdade entre os gêneros.
            E se for preciso sacrificar esse meu corpo-doação em prol desses ideais, sinto dizer aos frutos, os quais eu poderia e poderei gerar, que o sacrificarei se preciso, doa a quem doer; porque a “proteção” social pela integridade estipulada para a mulher, não retém me mais!  

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