terça-feira, 29 de maio de 2012

O olhar





          Fala sério, não existe nada mais encantador, amedrontador, hipnotizante, intrigante, reconfortante, ameaçador, inocente, malicioso, suspeito, certeiro, embaraçoso, iluminado e obscuro que um olhar.
                 Olho, esse cristal biológico que reflete a alma, tão resumido, tão característico, tão denso de adjetivos, diga me o que mais cabe em um olhar?

Inversão evolutiva




        Sabe a sensação gostosa do quintal de casa ser um mundo a se descobrir, quando criança? Pois é, voltei a tê-la, porém agora, o meu quintal de casa é o mundo!

Mutilação




          Se eu fosse fria, mutilava meus seios para obter a fortaleza das amazonas pré-históricas, para combater e guerrear de igual para igual ao lado dos homens. Mas vejo que não é necessário, pois o próprio cotidiano mutila me e o que mais fortalece essa mutilação é a prepotência machista no seio família, aumenta a minha ira e revolta, tornam se maiores e mais fortes que eu. Esqueço me do corpo frágil e entregue à mercê da natureza, fazendo me forte para justificar e proteger meus ideais de igualdade entre os gêneros.
            E se for preciso sacrificar esse meu corpo-doação em prol desses ideais, sinto dizer aos frutos, os quais eu poderia e poderei gerar, que o sacrificarei se preciso, doa a quem doer; porque a “proteção” social pela integridade estipulada para a mulher, não retém me mais!  

Um pouco de cada uma delas




Acontece que não nasci Lilith, fui educada para ter um pouco dos modos dela. Mas fui gostando tanto disso, que eu na minha ingênua hipocrisia quis ser totalmente ela. Porém à medida que fui crescendo com o mundo me escaldando cada vez mais, sinto florescer me cada vez mais os legados da Mãe Eva, a costela desviada. Mesmo assim recuso a minha natureza e venero os passos da madrasta “revoltada”.