Desculpe-me, meu bem, mas não hei
de esconder imperfeições, porque no costume elas devem ser mais que perfeita
aos seus olhos.
Não é desleixo, mas coragem de
ser acima de tudo, pois se eu não me assumir, quem há de fazer isso por mim?
Desculpe-me, meu bem, mas o que
tenho aqui dentro na alma, desde que me entendo por gente, que construí e
desconstruí ao longo dessa minha caminhada é mais forte que toda essa
efemeridade plástica!
Desculpe-me, meu bem, se esse meu
silêncio parece te sufocar, mas aprendi ao longo do tempo que, o que realmente
importa é o que sou pra mim, o que me parece forte e consistente. E não uma
reverberação de frases feitas ou até mesmo histórias repetidas de mim mesma,
que vão afirmar o que sou, ou deixei de ser. O que quiser realmente saber, com
o tempo vem à tona!
Desculpe-me, meu bem, mas gosto
de tudo no momento, porque ele é pleno! Não dá pra ter preferências, pois o que
me é essencial existe dentro de mim e basta!

