Monique, quando criança, acreditava em contos de fadas e sonhava com o príncipe encantado, o que é plausível numa cabeça com cinco anos. Os contos de fadas contam que princesas casavam e tinham filhos cedo, sendo esta a única vizão que Monique tinha na sua pouca vida, reconheceu o destino das princesas como principal objetivo da sua existência e das demais meninas, acreditava no “Felizes para sempre”!
Porém aos sete anos de idade sua mãe abriu lhe os horizontes, de maneira drástica. Perguntando à Monique o que ela esperava do seu futuro, o que ela faria com ele quando grande. Monique respondeu que queria casar se aos dezesseis anos, ter seu primeiro filho aos dezoito e ser professora como a mãe. Sua mãe surtou com a resposta – Está louca? Professor não é a única profissão do mundo, você deve procurar ser uma mulher de negócios, e mulher de negócios não casa e nem tem filhos cedo, ela viaja e é dona de si, faz o que quer e não deve satisfação a ninguém! Quando você se casa, você deve satisfação ao marido.- já mais calma a mãe explica – Filhota, príncipes com cavalo branco e “Felizes para sempre” não existem. O mundo nem sempre é tão bom e você tem que ser esperta para identificar isto!. Monique ficou arrasada por descobrir que o “Felizes para sempre”, não passava de fantasia, e passou a ter raiva do mundo, mas bem que ela gostou da ideia de ser mulher de negócios, e se apegou a ela para ter sentido de viver. Mas mesmo assim ela continuou sonhando com romances à La “mar de rosas” com suas paixãozinhas (correspondidas ou não), e uma família constituída com as mesmas.
E ela começou bem, no seu primeiro e único namoro sério, aos quatorze anos começou pensando em como terminar, e ela terminou antes do prazo que ela mesma havia estipulado. Teve um amor platônico por quatro anos, e não se envolvia com ninguém a espera dele, ou se envolvia mas dispensava a qualquer sinal de chaces com o amor platônico, mas ela não o conseguiu, percebeu que perdeu inúmeras oportunidades de ter tido outros namorados, e desencanou! Daí foram rolos e casos, por uns ela realmente se apaixonou, mas não queriam um lance sério; outros que queriam, ela cansou de esperar a atitude deles e saía fora antes de tudo, pensando- Ele não é o pacote completo que eu desejo, é parte dele, não vale a pena me desgastar! Talvez eu seja o tipo de mulher que não é a metade da laranja, mas a laranja inteira! Casar e filhos é uma opção, a qual nem preocupo me, pelo contrário, prefiro nem escolhê-la! Só sei que o ser humano não pode ser sozinho, mas não necessariamente preciso de um marido, então por que namorar? Preciso disso não, vou fazer muitos amigos.- E aqui, caros leitores e leitoras, temos Monique já com dezoito anos! E como bem sabemos, ou devemos saber, dos dezoito aos vinte e cinco anos os humanos decidem como serão seus futuros, e nesta fase os acontecimentos passam rápidos demais.
Sua mãe passa a cobrar de brincadeira o genro, as tias perguntam e instigam um par arranjado para Monique, as primas e amigas começam a namorar sério, inclusive as mais novas; mas ela não sente se a excluída e nem cede a pressão. Pelo contrário, Monique sente se por cima e compadece pelas suas conhecidas que namoram, julgando a vidinha delas monótona e bitolada.
Ao retornar de um banho de mar solitário no fim da tarde, Monique é abordada por uma cigana, que insiste em ler sua sorte em troca da canga amarrada na cintura de Monique, que por sua vez cedeu. A cigana disse que o nome da cliente significava monja, e aconselhou que ela não fosse tão rigorosa consigo, principalmente nas suas escolhas amorosas, que mesmo com o ar de superioridade que ela sentia sobre os homens, o coração dela era muito bom e não merecia sofrer assim com a solidão que o nome dela remetia. Segundo a cigana, Monique deveria espalhar e perpetuar essa bondade que ela tinha com um companheiro ao seu lado. Monique achou aquela história muito engraçada, pensou consigo - Ela que não me conhece!- e gargalhou quando a cigana sumiu de vista. Ao chegar em casa comenta a história de maneira cômica com sua mãe, que fica séria e alega:
- Monique, a cigana tem razão!
– Mãe, tá louca? Vai começar a acreditar em papo de cigano? Até parece que não me conhece. Nem quero casar! - surpreendida Monique retruca.
- Sim, você está certa! Mas ao menos um namoro mais sólido na sua idade atual, você tem que viver! E pra bem viver, você tem que aprender, e pra aprender de verdade você também deve viver isto! Ou você acha que vai ser nova sempre; ou quando mais velha os homens vão querer respeitar a sua pouca experiência? Meu bem, o pacote de homem que você espera nunca vai vir completo, e se vier ele com certeza não vai te eleger a preferida e implorar sobre seus pés que você o aceite! Portanto, movimente se ao avistar o homem que atende ao menos boa parte do pacote.
- Sim, mami, mas eu sinto que perdi o jeito de abordar os garotos. É tão mais fácil ser simpática e nada vulgar, quando eles se aproximam já com a segunda intensão, mas de maneira sutil. E a aproximação espontânea de quem você almeja é complicada.
- Monique, repara bem em você. Benzinho, você ainda acredita no príncipe encantado! Por mais que você tenha um caráter fortemente feminista e uma alta independencia, você espera ser socorrida pelo seu amado das mazelas do mundo real, sem movimentar um dedo! Continue assim, que você acaba quem nem a protagonista da peça “A virgem de quarenta anos- Agora, ou nunca!”, e eu tenho certeza de que isso você não quer.
Monique ficou assustadíssima ao se reconhecer no papel que ela mais repugnava, o da princesinha em apuros que nada faz, só grita por socorro. Foi humilde o suficiente em reconhecer que a mãe estava certa, resolveu deixar o coração aberto e acreditar na fabulosa experiência dos relacionamentos duradouros, na contrução do ser como pessoa. Sim, agora ela esta mais do que nunca disposta a se apaixonar de verdade! Boa sorte Monique, e deixe tudo fluir naturalmente, não esqueça de dar uma mãozinha para a sorte também! O mesmo fica para os leitores e leitoras que se indentificaram com Monique.


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